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quarta-feira, maio 12

Festival gastronômico mineiro agita Congonhas

Acontece nos dias 15 e 16 em Congonhas (75 km de Belo Horizonte) o 10º Festival da Quitanda. Representantes de várias cidades do estado participam com quitutes tradicionais mineiros e concorrem a prêmios.

Um dos destaques desse ano é o lançamento do caderno com as receitas premiadas nas edições anteriores. São broas, biscoitos, bolos, pães e doces. Não é de encher a boca de água? Também será montado um estande com todas as quitandas premiadas no período.

Os visitantes poderão provar a acompanhar a preparação do cubu, uma espécie de broa feita com fubá de moinho d’água e enrolada na folha de bananeira que é preparada no fogão à lenha. Haverá distribuição do cubu e de garapa (caldo de cana).

Na programação do Festival há ainda show com Dominguinhos, danças típicas e contação de histórias relacionadas à culinária.

Foto: Divulgação

sexta-feira, maio 1

Parada obrigatória em Tiradentes

O Tragaluz ocupa uma simpática casa da rua Direita adquirida em 2000 e inteiramente reformada com a ajuda do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). São três ambientes, rústicos e aconchegantes, com meia luz e velas nas mesas. A casa é ponto de artistas que visitam a cidade – há várias fotos da proprietária com eles na entrada do restaurante. No dia em que fui o Matheus Nachtergaele chegou logo depois e ocupou a mesa ao lado.

É para ir sem pressa, pois eles são um pouco lentos – inclusive assumem isso em um dos textos do cardápio, que é cheio de textos curtos e desenhos (quem gostar muito pode levar para casa por R$5).

Era a minha segunda visita. A primeira, em 2006, marcou pela sobremesa, que repetimos nessa visita. Ficamos em dúvida entre vários pratos, mas no final optamos pelo lombo empanado em crosta de parmesão com alecrim servido com abacaxi também empanado, arroz e um molho apimentado era simples, mas muito saboroso e bem feito, e pela galinha d`Angola com molho de vinho e servida com raviólis, que também estava saborosa, mas não era tudo aquilo o que a garçonete tinha vendido.

Para sobremesa, doce de leite servido com farofa de nozes, sorvete de queijo e parmesão ralado (delicioso!) e goiabada cascão prensada com castanha de caju, frita na manteiga servida sobre uma cama de catupiry derretido acompanhado de sorvete de goiaba. Uma variação divina do tradicional “Romeu & Julieta”.

A carta de vinhos é de chorar. São pouquíssimas opções (acho que menos de 10) e todas bem fracas. A rolha custa algo em torno de R$ 30. Vale a pena levar seu próprio vinho.

O Tragaluz é quase parada obrigatória em Tiradentes.

Serviço:
Tragaluz
Rua Direita, 52 - Centro Histórico - Tiradentes
Tel: (32) 3355-1424

segunda-feira, abril 27

Lindo, mas ordinário

Se você for a Tiradentes, fuja do Santíssima Gula. O restaurante é uma graça, todo rústico, com um fogão a lenha no canto do salão aquecendo o ambiente e cercado de verde. A chefe Nancy, extremamente simpática e falante, nos recebeu e nos contou um pouco da história do restaurante, que vai fazer dois anos em agosto.

Tudo bem, sou um pouco exigente, mas aquela experiência foi demais para mim! A casa só trabalha com menus degustação. São 8 tipos, mas a diferença está mesmo no prato principal. O couvert é comum a todos e há dois tipos de entrada: uma salada com polvo e outra caprese. Escolhemos a salada caprese e o magret de pato com risoto de cogumelos.

A carta de vinhos era ruim e cara, problema comum entre os restaurantes da cidade. Curioso, pois das oito mesas do restaurante apenas uma não tomava vinho. Escolhemos o Casa Ribas, um Cabernet Sauvignon com cinco varietais diferentes na composição. Ruim, muito ruim.

O couvert é razoável: traz bolinhos de bacalhau, patê de fígado, caponata, jiló frito, uma mousse irreconhecível, atum desfiado e temperado, pequenas fatias de abacaxi com gengibre e cebolas carameladas. O intervalo entre o couvert e a salada foi de, pelo menos, 45 minutos. Em nenhum momento algo foi reposto. Enquanto esperávamos a casa ia enchendo.

A salada de “caprese” quase não tinha nada. Era um farto prato de folhas com uma cesta comestível com cubos de tomate cereja e mussarela de búfala. Tudo regado com um molho de balsâmico reduzido com direito a meio morango e uma fatia de carambola decorando o prato. Fomos informados de que havia folhas na tal caprese, mas não podia imaginar que eram tantas!

A expectativa para o magret era grande. Os pratos chegaram à mesa cobertos. Cresce a expectativa. Quando o garçom levantou e bati o olho no prato, falei: “é arroz comum”. De fato, era um risoto “totalmente” arroz à piemontese (daqueles do Bela Blu ou La Mole quando comia na década de 80) que matou totalmente o pato, que até estava correto.

Havia duas opções de sobremesas: uma panacota com calda de frutas vermelhas e uma trilogia de sabores mineiros. Pedimos uma de cada para experimentar. A primeira estava sem graça e a segunda, decepcionante. Uma fatia de carambola em calda, meio figo em calda e cocada branca com duas fatias de queijo branco no centro do prato.

Não era para errar no café, mas o garçon, que fez a operação abaixado (não há um espaço para a máquina, que repousa sobre um banco) trouxe algo intragável. Eu tiro um café melhor na minha pequena cafeteira caseira.

Para encerrar com chave de ouro, em tempos de insegurança e dinheiro de plástico, a casa só aceita cheque ou espécie. E não há nenhum aviso na entrada ou no cardápio (que era uma pasta de plástico bem da improvisada) e nada nos foi dito pelo garçom. Por sorte tínhamos sacado o dinheiro para pagar a pousada no dia seguinte. Era capaz de terminarmos a noite lavando as louças do jantar que, infelizmente, ficará na memória como o pior e o mais caro em três anos.

Serviço:
Santíssima Gula
Rua Pe. Gaspar, 343 - ao lado da Igreja da Santíssima Trindade
Tel: (32) 3355-1162